Hoje teremos reunião ordinária do Conselho Diocesano da Ação Evangelizadora
A Diocese de Toledo se reúne neste sábado, dia 7 de março, para a celebração de ordenação diaconal do seminarista David Henrique Fiametti, 37 anos. A missa com o rito de ordenação, sob presidência do bispo diocesano D. João Carlos Seneme, será às 16h, na Igreja São Francisco de Assis, em Assis Chateaubriand. Tradicionalmente, os vocacionados ingressam mais jovens no seminário. Com David foi um pouco diferente. Conheça essa história.
David é o primogênito de Lauro Antônio Fiametti e Nelza Jann Fiametti. Ele tem duas irmãs (Ana Carla e Élen Cristina). Ele escolheu o lema “Completai em mim a obra começada” (Sl 137-138,8) e conta nesta entrevista como despertou o desejo de conhecer a vida sacerdotal e os caminhos percorridos até este momento tão significativo na sua vocação.
Revista Cristo Rei – Como foi o despertar desse desejo de conhecer a vida sacerdotal?
David – Ingressei no Seminário Maria Mãe da Igreja em 2013, com 29 anos de idade. A ideia que temos do chamado vocacional é que algo que acontece ainda quando o candidato é criança, adolescente ou no “início” da juventude. O meu caso não foi diferente. Quando estava concluindo o ensino fundamental senti o chamado para ingressar no seminário e esse sentimento foi partilhado com minha mãe. A resposta dada por ela foi: “Nós não temos condições de te manter no seminário”. A minha família passava por uma situação financeira um pouco delicada. Não questionei a fala da minha mãe, pois como o filho mais velho sentia a necessidade de ajudar em casa. Diante desse contexto familiar, iniciei o ensino médio e comecei a fazer um curso de eletricista no Senai em Toledo. Com a conclusão do curso, comecei a trabalhar na área de manutenção industrial. Mesmo trabalhando continuei meus estudos, concluí o ensino médio e prestei vestibular no antigo CEFET, hoje UTFPR, para o curso de Tecnologia em Eletromecânica. Com a formatura na universidade vieram novas oportunidades de trabalho, também de aprofundar os estudos na área de atuação da faculdade. Dois anos após a conclusão do curso, fiz uma especialização em automação industrial. Mas as inquietações em relação à vocação iniciaram a partir do convite para fazer o curso de Ministro Auxiliar da Comunidade (MAC). O assessor da escola de ministros era o Pe. Milton Wermann, que após a celebração passou a responder algumas perguntas sobre “a vida do padre”. A partir da sua fala, o chamado que senti em minha adolescência “voltou”. O caminho percorrido até o ingresso no seminário diocesano foi um pouco longo, pois diante de toda a minha realidade profissional foi preciso fazer um discernimento em minha vida. Esse período de discernimento foi um pouco longo, pelo menos cinco anos de acompanhamento vocacional. Mas esse discernimento foi importante para a tomada de consciência do que é a vocação.
RCR – Como se explica esse chamado de Deus? É possível descrevê-lo?
David – Costumo descrever o meu chamado vocacional a partir da imagem de uma fogueira que está apagada, as cinzas cobrem as brasas. Sobre essa fogueira quase apagando vem um vento muito forte que leva as cinzas embora e a chama é acesa novamente. Essa imagem diz muito da minha vocação, pois a “chama” da vocação estava encoberta.
RCR – Como foi a experiência de vida nos seminários Maria Mãe da Igreja e São João Paulo II?
David – Os seminários proporcionaram um crescimento humano e afetivo através das formações internas e da possibilidade de participação em cursos na área. Outra experiência marcante foi a convivência com os seminaristas mais novos do que eu. Essa “diferença” de idade em alguns momentos me incomodava, mas possibilitou o amadurecimento pessoal na relação com as pessoas. Mais que o amadurecimento, possibilitou o surgimento de algumas amizades muito significativas para mim.
Revista Cristo Rei – Depois de ter passado por todas essas experiências, qual seria o sentimento que expressa melhor esse momento em sua vida?
David – Os sentimentos que expressam esse momento são dois: a gratidão e a alegria. Gratidão pelo dom da vida e da vocação. Gratidão aos familiares e amigos pelo apoio na caminhada. E a alegria por ter respondido sim ao chamado vocacional.
Revista Cristo Rei – A dimensão do serviço está muito presente na formação do diácono e do sacerdote. Para você, o que significa estar a serviço da comunidade de fé?
David – O serviço é uma dimensão essencial do ministério ordenado, ou seja, o serviço é como que a identidade do ministro ordenado. Mais que simplesmente estar prestando um favor à uma comunidade, o serviço está ligado diretamente à imagem do Bom Pastor que é capaz de dar a vida por seu rebanho. O serviço é uma dimensão que provoca o diácono ou o padre a ir ao encontro das pessoas, como o pastor que deixa as 99 ovelhas e vai ao encontro da ovelha perdida. Nesse contexto o ministro ordenado passa a ser o servidor da comunidade, como nos pede o Papa Francisco.
RCR – Se você viesse a encontrar alguém da sua idade, o que diria, enquanto instrumento de Deus, para convidá-lo ao discernimento vocacional no seminário?
David – Diria para não ter medo de “deixar tudo” e seguir Jesus. A grande preocupação que temos, enquanto vocacionados adultos, está nas “seguranças” que temos em nossas vidas. Sejam elas relacionadas as atividades profissionais, ou até mesmo o que “os outros vão pensar”. O não ter medo está relacionado diretamente à ação de Deus em nossas vidas, o deixar-se conduzir por Ele, essa proposta encontramos nos mais diversos chamados na Bíblia. Quando Deus chama alguém para uma missão, mesmo que a pessoa não queira assumi-la por medo, Deus diz através de seu enviado: “Não temas! Eu estarei contigo”. Essas palavras me marcaram muito na caminhada vocacional, as quais eu diria para um jovem que sentisse o chamado e viesse conversar comigo hoje.